Hackathon marca nova fase para recuperação de mananciais da Sanepar

Evento com alunos de Engenharia de Londrina trouxe soluções para Ribeirão Cafezal e deve ser replicado em outras regiões do Estado

Assoreamento. Este foi o impacto/desafio que a equipe vencedora do 1o. Hackathon Ambiental de Londrina propôs solucionar. O evento, realizado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Faculdade Pitágoras e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), envolveu 100 alunos das diferentes habilitações em Engenharia das duas instituições de ensino no último fim de semana.

O alvo do evento foi o Ribeirão Cafezal, um dos mananciais de abastecimento da região, mas pode trazer inspiração para melhorar as condições dos rios de todo o Paraná. “Este evento deu uma nova roupagem ao Programa Fundo Azul. Certamente, Londrina está dando uma contribuição importante para todo o Paraná”, avalia a gerente de Recursos Hídricos da Sanepar, Ester Mendes.

Ela explica que a principal característica do Fundo Azul é o Pagamento de Serviço Ambiental ao produtor rural. A Sanepar deverá custear 30 novos projetos de recuperação de mananciais em 2020. O projeto Monitoramento e Mitigação do Assoreamento do Ribeirão Cafezal, vencedor da maratona deste fim de semana, foi eleito por unanimidade pelo júri composto por profissionais do saneamento e professores universitários.

“A escolha considerou questões técnicas de aplicabilidade, custos e benefícios. O software proposto tabulará dados importantes para a concepção de projetos e práticas de recuperação de mananciais”, destacou o gerente geral da Sanepar na Região Nordeste do Estado, Rafael Malaguido. “Este evento vem ao encontro do que o Governo do Estado tem buscado, que é levar inovação para a gestão. Temos agora 12 ideias inovadoras para aplicação dos recursos do Fundo Azul”, afirma o gerente.

Cristiane Silveira, coordenadora dos cursos de Engenharia Civil e de Engenhara Ambiental da Faculdade Pitágoras, é uma das idealizadoras do Hackathon ao lado do professor Julio Tino, engenheiro na Sanepar. Segundo ela, a organização do evento teve início em maio e a iniciativa movimentou centenas de alunos dos cursos de Engenharia Ambiental, Civil, Mecânica, Elétrica, de Produção e, também, de Arquitetura.

A maratona – Doze grupos foram incubados na noite da última sexta-feira para iniciar os projetos. Mais de 60 mentores, entre professores, profissionais da Companhia de Saneamento e pesquisadores de Londrina e outras regiões do Paraná participaram da construção das ideias. Cinco gerentes da Sanepar, de aéreas relacionadas ao Fundo Azul do Ribeirão Cafezal, foram os avaliadores. “Todos gostaram muito. Eu nunca tinha participado e acredito que o maior prêmio para os alunos é ter os nomes deles no projeto implantado”, afirma Cristiane Silveira.

Para ela, o evento proporcionou “aprendizado compartilhado”, especialmente entre os alunos, que formaram grupos, independente da instituição, curso e semestre. “Em busca de um acordo, eles amadureceram como pessoas e no aprendizado técnico”, reflete.

“Água é o assunto de maior mérito que a gente tem. Sem água não existe qualidade de vida. É responsabilidade nossa, da sociedade. Trazer este problema para os alunos foi muito enriquecedor. Esta formação entre as instituições públicas e privadas nos trouxe muito conhecimento, porque não é algo que acontece com frequência”, avalia Cristiane.

Vencedores – A essência do projeto vencedor é o sensoriamento via satélite para detecção de assoreamento, distinto pelo uso de inteligência artificial para identificar áreas degradadas. Além da constituição de banco de dados e projeções futuras sobre os impactos, o projeto vislumbra sensibilização do produtor rural e plano de manejo para áreas de preservação ambiental. Entre as vantagens do projeto estão a redução do volume de sedimentos no rio, com impacto positivo no tratamento de água pela Sanepar, e a diminuição da erosão do solo, com melhor aproveitamento para o plantio. O maior ganho é a melhoria da qualidade da água para todos.

“A gente juntou duas idéias: o monitoramento e o assoreamento, principalmente por causa da agricultura”, resumiu Mariana Lorenço, aluna do nono período do curso de Engenharia Ambiental da UTPR, membro da equipe vencedora do Hackathon.

Também compõem a equipe Guilherme Teixeira, aluno de Engenharia Química, Gustavo Higawa e Regis Pacheco Cassino Júnior, da Ambiental, e Daniel Bellido Neves, da Civil. “Estamos muito animados para conhecer a Sanepar em Curitiba, que dizem que é bem grande e tecnológica”, resume.

Premiação – As três equipes melhor colocadas na competição receberam medalhas e troféus. Os ganhadores farão visita técnica a unidades operacionais e de educação ambiental da Sanepar em Curitiba.

O Fundo Azul – Criado na Sanepar em 1998, o programa ambiental Fundo Azul tem o objetivo de apoiar com recursos financeiros projetos e ações de recuperação, proteção e conservação dos mananciais de abastecimento. Isso é feito por meio de cooperação com instituições externas.

Por Sanepar

Hackathon Londrina Primeiros vencedores mentores e avaliadores
Equipe que ficou em segundo lugar
Equipe terceira colocada

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