Greve dos Caminhoneiros Inicia nesta Segunda-Feira com Paralisação em Portos

Brasília/São Paulo, 13 de julho de 2026
Caminhoneiros de diversas regiões do Brasil deram início nesta segunda-feira (13) a uma paralisação nacional, concentrada principalmente nos acessos a portos e centros de distribuição.
O movimento, convocado pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), busca forçar o Senado Federal a votar a Medida Provisória 1.343/2026, a chamada MP do Frete, antes que ela perca a validade na próxima quinta-feira (16).O presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão, anunciou a mobilização em vídeo nas redes sociais. “Há duas semanas a gente vem lutando para que o Senado coloque na pauta para ser votado e até agora nada”, declarou.
A orientação da entidade é clara: os motoristas devem evitar iniciar novas viagens até que haja definição sobre a votação, prevista possivelmente para esta terça-feira (14).

Protestos pacíficos e impacto ainda limitadoEm Santos (SP), principal porto do país, a Polícia Militar registrou concentração de cerca de 70 pessoas na Rua Augusta Scaraboto. A manifestação transcorre de forma pacífica e a via permanece liberada ao tráfego, sem impactos no trânsito até o momento, segundo a PM. Há relatos de interrupções pontuais em operações portuárias em Santos (SP) e Salvador (BA), mas não foram confirmados bloqueios expressivos em rodovias federais.

A adesão ao movimento ainda é monitorada e considerada moderada nas primeiras horas. Lideranças afirmam que acompanharão a situação nacionalmente e não descartam ampliação caso a MP não avance.MP do Frete: o cerne da reivindicaçãoEditada pelo governo federal em março, a MP 1.343/2026 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de junho na forma de Projeto de Lei de Conversão. O texto reforça a política de piso mínimo do frete e inclui:

  • Penalidades mais severas (multas e suspensão) para empresas que pagarem abaixo do valor estabelecido pela ANTT;
  • Criação de sistema eletrônico de bloqueio para fretes irregulares;
  • Regras de pagamento mais claras, com antecipação mínima para autônomos;
  • Outras medidas de proteção ao transportador, como piso salarial nacional para motoristas CLT em viagens longas.

Sem a aprovação no Senado até o dia 16, a medida caducará, obrigando a categoria a reiniciar as discussões do zero. O recesso parlamentar, que começa em 18 de julho, aumenta a tensão.

Chorão responsabilizou diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre: “Quem está chamando essa paralisação se chama Davi Alcolumbre”. O líder caminhoneiro afirmou que a categoria está “mais organizada do que em 2018” e não aceitará a perda da MP.Governo em alertaO Palácio do Planalto e a Advocacia-Geral da União (AGU) foram acionados para acompanhar o risco de paralisação. Até o fechamento desta reportagem, não havia anúncio de novas negociações emergenciais.

O setor de transporte rodoviário é responsável pela maior parte do escoamento de grãos, combustíveis e produtos industrializados no país. Qualquer paralisação mais ampla pode gerar reflexos rápidos na cadeia logística, especialmente em plena safra.

A redação continua acompanhando os desdobramentos da mobilização e eventuais decisões do Senado sobre a MP do Frete. Atualizações serão publicadas conforme novas informações.

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