Lula sofre derrota histórica no Senado com rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF

Brasília, 30 de abril de 2026 – Em uma votação que durou poucos minutos, o Senado Federal impôs ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma das maiores derrotas políticas de seu terceiro mandato. Por 42 votos contra e 34 a favor (com uma abstenção), os senadores rejeitaram, em sessão secreta, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, em 2025.

Eram necessários ao menos 41 votos favoráveis dos 81 senadores para a aprovação. Com 79 parlamentares presentes, o nome de Messias não alcançou o quórum mínimo e foi arquivado. Trata-se da primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894, ainda no início da República, durante o governo de Floriano Peixoto. Desde a redemocratização, nenhuma indicação presidencial para a Corte havia sido derrubada pelo Congresso.

Sabatina apertada e resistência no plenárioJorge Messias, de 46 anos, servidor de carreira com trajetória ligada ao PT (incluindo passagens por governos petistas e assessoria ao senador Jaques Wagner), passou pela sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com placar apertado: 16 votos a favor e 11 contra. No entanto, a resistência cresceu no plenário.O governo contava com o apoio da base aliada, mas enfrentou forte oposição, especialmente do PL e de outros setores do centrão e da direita. Analistas apontam que a insistência de Lula em Messias — mesmo com pressão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para indicar nomes como o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) — contribuiu para o desgaste. A mensagem formal da indicação só foi enviada ao Senado em abril de 2026, quase seis meses após o anúncio.

Lula, segundo relatos, duvidava da derrota até o último momento e acreditava que conseguiria aprovar seu indicado.ReaçõesA oposição comemorou o resultado com intensidade. Senadores e deputados bolsonaristas celebraram com gritos de “fora Lula” e “nós vencemos”. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou o episódio como uma “derrota do governo Lula”. Parlamentares da base governista lamentaram a rejeição, destacando o perfil técnico e a capacidade de Messias.Ministros do STF, segundo fontes da CNN, também se mostraram surpreendidos com o placar.Impacto políticoA derrota ocorre em um ano eleitoral e expõe a fragilidade do governo Lula no Congresso, mesmo após aprovar nomes como Cristiano Zanin e Flávio Dino para o STF em indicações anteriores. Agora, o Planalto precisará escolher um novo nome para enviar ao Senado, o que pode abrir nova rodada de negociações e barganhas políticas com o Legislativo.Especialistas avaliam que o resultado envia um recado claro ao Palácio do Planalto sobre os limites de sua influência no Senado e reforça o papel de freio institucional exercido pela Casa Alta.O governo ainda não se manifestou oficialmente sobre o próximo passo ou o perfil do novo indicado.A rejeição de Messias entra para a história como um marco raro na relação entre Executivo e Legislativo na escolha dos ministros da mais alta corte do país.

 

 

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