Detalhes da decisãoA corte americana permitiu a citação por e-mails institucionais ligados ao STF, dando um prazo de até 30 dias para que as empresas comprovem o envio. Após a notificação, Moraes terá cerca de 21 a 60 dias (dependendo da contagem processual) para apresentar defesa. Caso não responda, o processo pode seguir à revelia, com risco de decisão default contra ele.
Advogados das plataformas argumentaram que Moraes já utilizou e-mails institucionais para enviar ordens de bloqueio e requisições de dados diretamente às empresas americanas, o que justifica o meio de comunicação. Tentativas anteriores de notificação convencional teriam sido frustradas.
Contexto da açãoA ação foi protocolada em fevereiro de 2025. Ela decorre de ordens judiciais de Moraes que, segundo as empresas, afetaram diretamente operações e usuários nos Estados Unidos — incluindo perfis de residentes americanos ou conteúdos protegidos pela legislação local. O caso ganhou força com a percepção de “censura extraterritorial” por parte de um magistrado estrangeiro.
O episódio se insere em um contexto de tensões maiores entre o Judiciário brasileiro e o governo Trump, que anteriormente impôs sanções e revogou vistos relacionados a alegadas violações de direitos humanos e liberdade de expressão.ReaçõesEntre conservadores e defensores da liberdade de expressão no Brasil e nos EUA, a decisão é celebrada como um marco contra o que chamam de “abuso de poder” e “censura judicial”. “Depois de 457 dias, finalmente a citação por e-mail foi autorizada”, destacou o advogado Martin de Luca.
Do outro lado, aliados do ministro e parte da esquerda brasileira veem a ação como interferência externa e politização do Judiciário americano. O STF e o governo Lula ainda não se manifestaram oficialmente sobre a notificação.
O que vem pela frenteEspecialistas em direito internacional afirmam que, mesmo com a notificação válida nos EUA, a execução de eventual decisão americana no Brasil dependeria de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que tende a ser complexo e politizado. O caso, no entanto, reforça o debate global sobre limites da jurisdição digital, soberania e liberdade de expressão nas redes sociais.
A notificação por e-mail destrava o processo nos Estados Unidos e marca mais um capítulo na crescente internacionalização das controvérsias envolvendo decisões do ministro Alexandre de Moraes.















