Senado aplica nova derrota a Lula e derruba veto à Dosimetria

Veto foi derrubado tanto na Câmara, quanto no Senado

 

Brasília, 30 de abril de 2026 – Em mais uma vitória da oposição e do Centrão contra o governo federal, o Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (30) o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria (PL 2.162/2023).
A medida altera regras de cálculo de penas no Código Penal e na Lei de Execução Penal, com impacto direto em condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e em outros processos relacionados a crimes contra o Estado Democrático de Direito.A sessão conjunta do Congresso registrou placares expressivos. Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos pela derrubada do veto, 144 para mantê-lo e 5 abstenções. No Senado Federal, o resultado foi de 49 votos favoráveis à derrubada contra 24 pela manutenção — superando o quórum mínimo exigido de 41 senadores. Com a rejeição do veto, o texto segue para promulgação, podendo ser feita pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AL), caso o Planalto não o faça.

O que é o PL da Dosimetria?O projeto modifica a dosimetria da pena — o cálculo trifásico realizado pelos juízes para definir a punição final. A principal mudança impede a soma automática de penas (concurso material) quando vários crimes são cometidos no mesmo contexto ou episódio. Em vez disso, aplica-se a pena mais grave, com possível aumento proporcional, mas sem acumulação integral.Essa regra beneficiaria condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 (invasão e depredação das sedes dos Três Poderes), incluindo réus por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa. A oposição argumenta que o texto corrige excessos no julgamento do STF e garante proporcionalidade. Críticos do governo, como o relator na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), classificaram o veto de Lula como “vingança”.

O veto de Lula foi assinado em 8 de janeiro de 2026, exatamente três anos após os eventos, durante cerimônia no Palácio do Planalto. O presidente justificou a decisão alegando que a redução de penas para crimes contra a democracia representaria um “retrocesso” e poderia incentivar novos ataques à ordem institucional.Contexto político: sequência de derrotasA derrubada do veto ocorre um dia após o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) — outra dura derrota para o governo. Parlamentares da oposição celebraram o resultado como demonstração de força do Congresso frente ao Executivo.Líderes governistas, como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), tentaram evitar a derrota, mas não conseguiram segurar a base aliada. A votação no Senado contou com bate-boca entre parlamentares, levando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a cortar microfones em determinado momento.

Impactos esperadosSe promulgado, o PL pode reduzir significativamente o tempo de prisão de dezenas de condenados pelo 8 de janeiro, alterando também regras de progressão de regime. Há menções de que o texto poderia beneficiar indiretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF em processo relacionado à trama golpista, embora os efeitos exatos dependam de análises judiciais futuras.
Especialistas divergem: defensores do projeto falam em “justiça proporcional” e correção de interpretações excessivamente rigorosas do STF; opositores alertam para risco de impunidade em crimes graves contra a democracia e até em outros delitos (como tráfico ou homicídio qualificado em contextos múltiplos).O governo ainda pode questionar a lei no Supremo Tribunal Federal após a promulgação.
A derrubada do veto reforça o enfraquecimento da base de Lula no Congresso em 2026 e acirra o embate entre Legislativo e Executivo em temas sensíveis da agenda penal e de segurança pública.(Esta matéria foi elaborada com base em informações de sessões do Congresso Nacional, votações oficiais e reportagens de veículos como G1, CNN Brasil, Poder360 e Agência Senado.)

 

 

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