A renda disponível do brasileiro caiu para um dos menores níveis da série histórica (desde 2011)

A renda disponível do brasileiro caiu para um dos menores níveis da série histórica (desde 2011), segundo levantamento da consultoria Tendências divulgado pelo Estadão em 9 de agosto de 2026.
De cada R$ 100 recebidos, sobram pouco mais de R$ 20 (21,7% em maio de 2026) depois de pagar despesas essenciais (alimentação, transporte, aluguel, medicamentos etc.) e o serviço de dívidas (empréstimos, financiamentos, cartão). O ponto mais baixo da série foi 21% em janeiro e fevereiro de 2026. Sem o custo das dívidas, a sobra após os itens essenciais fica em torno de 41,6% (R$ 41,64 a cada R$ 100 em maio).

Principais motivos

  • Inflação mais alta do que o previsto, pressionada especialmente após o choque de preços do petróleo ligado a conflitos no Oriente Médio (que elevou combustíveis, fretes e alimentos). A analista Isabela Tavares, da Tendências, destacou que já se esperava renda disponível baixa em 2026, mas a inflação surpreendeu para cima após o início da guerra.
  • Juros elevados, que encarecem o crédito e aumentam o peso do pagamento de dívidas no orçamento (compromisso que gira em torno de 29–30% da renda em dados recentes de outras pesquisas).

Isso ocorre mesmo com o mercado de trabalho ainda aquecido (desemprego em 5,4% no 2º trimestre de 2026, um dos menores da série). No entanto, o rendimento médio real do trabalho recuou 1,5% no trimestre (para R$ 3.738), embora tenha subido 2,8% na comparação anual. Parte da ocupação cresceu em setores de menor produtividade e renda.

Contexto adicionalOutros indicadores reforçam a sensação de aperto: muitas famílias usam crédito (incluindo Pix no crédito) para despesas básicas no fim do mês, o endividamento está elevado e a percepção de renda insuficiente aparece em pesquisas de opinião. A alta dos custos com moradia, saúde e educação também contribuiu ao longo dos anos para reduzir a folga orçamentária.Em resumo, o “menos dinheiro no final do mês” reflete a combinação de inflação pressionada (especialmente por commodities e energia) com o custo alto do crédito, mesmo em um cenário de emprego relativamente forte. Os dados mais recentes são de maio de 2026 para a renda disponível da Tendências e do 2º trimestre para a PNAD/IBGE.

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