As oscilações climáticas intensas, marcadas por frentes frias repentinas, ondas de calor, secas prolongadas e aumento da poluição, estão diretamente impactando a saúde respiratória da população brasileira. De acordo com especialistas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), o aquecimento global, aliado à poluição, agrava doenças como rinite alérgica — que afeta cerca de 30% dos brasileiros —, asma, conjuntivite e dermatite atópica.
As mudanças climáticas prolongam as estações de polinização, elevam os níveis de alérgenos como pólen, esporos de fungos e poeira, e facilitam a circulação de vírus respiratórios. No outono e inverno, a queda de temperatura e a baixa umidade ressecam as mucosas nasais, reduzindo as defesas naturais do organismo e abrindo caminho para gripes, resfriados e crises alérgicas.
Por que o clima influencia tanto?
- Temperaturas instáveis: Oscilações térmicas enfraquecem a imunidade local das vias aéreas, facilitando a entrada de vírus.
- Ar seco e poluição: Reduz a umidade abaixo de 30% em muitas regiões, agravando irritações. Queimadas e material particulado (PM2.5) inflamam os pulmões.
- Maior exposição a alérgenos: CO₂ elevado e temperaturas mais altas aumentam a produção de pólen, enquanto chuvas intensas favorecem mofo após enchentes.
- Ambientes fechados: No frio, as pessoas passam mais tempo em casa, elevando a transmissão viral e o contato com ácaros.
Dados do Ministério da Saúde mostram aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), reforçando a urgência de prevenção.
Cuidados essenciais para proteger a saúde
- Mantenha o corpo hidratado
Beba água regularmente, mesmo sem sede. A hidratação protege as mucosas respiratórias e a pele do ressecamento causado pelo ar seco. - Higienize as mãos e use máscaras em locais fechados
Lave as mãos com frequência e utilize álcool em gel. Em transporte público ou ambientes lotados, a máscara reduz a inalação de poluentes e vírus. - Cuide da imunidade
Adote alimentação rica em vitaminas C (laranja, acerola, kiwi) e D, pratique exercícios moderados e durma bem. Evite açúcar excessivo, que pode enfraquecer as defesas. - Controle alérgenos em casa
- Limpe com pano úmido para evitar levantar poeira.
- Lave roupas de cama semanalmente em água quente.
- Use umidificadores ou bacias com água nos quartos.
- Mantenha ambientes ventilados, mas evite abrir janelas em horários de alta poluição.
- Mantenha-se aquecido sem exageros
Use roupas adequadas nas mudanças de temperatura, especialmente pela manhã e à noite. Evite choque térmico ao sair de ambientes aquecidos. - Vacine-se
Mantenha em dia a vacina contra gripe (influenza) e COVID-19. Elas são fundamentais em períodos de oscilação climática. - Monitore a qualidade do ar
Consulte aplicativos de poluição e evite atividades ao ar livre em dias de alerta. Para alérgicos, consulte um médico para uso preventivo de antialérgicos ou inaladores. - Procure ajuda médica precoce
Diferencie sintomas: alergias geralmente causam coceira, espirros e olhos vermelhos sem febre alta; gripes vêm com febre, dores no corpo e cansaço. Não se automedique.
Um alerta para o futuroEspecialistas alertam que, sem ações efetivas contra as mudanças climáticas, esses problemas tendem a piorar. A Asbai já manifestou preocupação à COP30 sobre o impacto na saúde pública.
Cuidar da saúde individual é essencial, mas a solução coletiva passa por redução de emissões, preservação de áreas verdes e políticas públicas de qualidade do ar.Fique atento aos sinais do seu corpo e adote hábitos preventivos. Pequenas ações diárias podem fazer grande diferença na temporada de variações climáticas. Fontes: Agência Brasil, Ministério da Saúde, Asbai, Drauzio Varella e estudos internacionais sobre clima e saúde respiratória.















