De acordo com estudos internacionais, o aumento é notável. Nos Estados Unidos, entre 2011 e 2022, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em jovens adultos de 26 a 34 anos saltou 450%. Globalmente, a estimativa do The Lancet Psychiatry aponta uma em cada 127 pessoas no espectro em 2021, um crescimento de mais de 53% em relação a 2019. No Brasil, o Censo 2022 identificou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, mas especialistas estimam que o número real seja bem maior, com milhões ainda sem identificação formal, especialmente entre adultos.
As principais razões para o aumento de diagnósticos em adultos
- Maior conscientização e acesso à informação
Redes sociais, séries, livros e campanhas permitiram que muitas pessoas se reconhecessem. “Eu sempre me senti diferente, mas só entendi depois de ver relatos de outros adultos”, contam milhares. O acesso a testes online e conteúdos educativos impulsiona a busca por avaliação profissional. - Mudanças nos critérios diagnósticos
O DSM-5 (2013) unificou o que antes eram categorias separadas (autismo clássico, Asperger, PDD-NOS) em um único “espectro”. Isso incluiu pessoas com sintomas mais sutis, sem deficiência intelectual grave e com boas habilidades verbais — exatamente o perfil de muitos adultos que “passavam despercebidos” na infância. - Mascaramento e subdiagnóstico histórico
Muitas pessoas, especialmente mulheres e meninas, aprenderam a “mascarar” traços autistas para se encaixar socialmente. Isso escondeu o autismo por décadas. Hoje, com menos estigma, elas buscam explicação para anos de ansiedade, depressão, burnout e dificuldades sociais. Estudos mostram que 9 em cada 10 adultos autistas ainda não têm diagnóstico formal. - Efeito dominó familiar
Pais que descobrem o autismo nos filhos frequentemente se reconhecem no espectro. “Meu filho foi diagnosticado e eu vi meu reflexo”, é um relato comum. - Melhor capacitação de profissionais
Psicólogos, psiquiatras e neuropsicólogos estão mais preparados para identificar TEA em adultos, inclusive em casos de alto funcionamento.
O impacto do diagnóstico tardioPara muitos, o laudo traz alívio e libertação. “Finalmente entendi que não sou preguiçoso, antissocial ou ‘errado’ — sou neurodivergente”, dizem relatos. O diagnóstico abre portas para autoconhecimento, terapias adequadas (como terapia cognitivo-comportamental adaptada, suporte sensorial e coaching de habilidades sociais), ajustes no trabalho e direitos previstos em lei (como a CIPTEA no Brasil).
Por outro lado, o atraso pode trazer consequências: anos de baixa autoestima, transtornos mentais associados, dificuldade de manter empregos ou relacionamentos. O diagnóstico na vida adulta não “cura”, mas permite estratégias que melhoram significativamente a qualidade de vida.Um alerta importanteEspecialistas são unânimes: não aumentou o número de autistas no mundo — aumentou o reconhecimento. O autismo é neurobiológico e presente desde o nascimento, mas só agora está sendo melhor identificado em toda a faixa etária.
No Brasil, ainda há desafios: fila de espera no SUS, poucos profissionais especializados em adultos, preconceito e falta de políticas públicas específicas para TEA na fase adulta e envelhecimento.Se você se identifica com traços como dificuldade em interações sociais, sensibilidade sensorial intensa, rotinas rígidas, interesses profundos ou histórico de “sempre me sentir diferente”, considere buscar uma avaliação com profissionais qualificados. O diagnóstico não é moda — é compreensão.Fontes: Folha de S.Paulo, BBC News Brasil, The Lancet Psychiatry, Censo IBGE 2022, DSM-5, estudos do CDC e relatos de especialistas em neurodiversidade.















