Os ovos fossilizados e os fragmentos são de espécies que viveram há cerca de 70 a 80 milhões de anos

Uma ninhada com cerca de 20 ovos fossilizados do tempo dos dinossauros foi descoberta em um sítio arqueológico na cidade de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

O paleontólogo William Nava conversou com a reportagem de O Tempo nesta sexta-feira (11) sobre a descoberta. Ele explica que, de acordo com estudos preliminares feitos na ninhada, é possível dizer que os ovos são de crocodilos que viveram nos anos jurássicos. Próximo ao local, o paleontólogo também encontrou um ovo inteiro e fragmentos de ovos que seriam de um tipo de dinossauro carnívoro que viveu há cerca de 70 a 80 milhões de anos.

“A descoberta da ninhada foi em janeiro deste ano, mas, as informações só foram divulgadas agora porque estávamos fazendo alguns estudos preliminares junto com outros paleontólogos e chegamos a essa conclusão (que são ovos do período cretáceo)”, disse Nava.

Nava acredita que os ovos diferente dos de crocodilos são de um tipo de um terópode, um pequeno dinossauro carnívoro, pelas características do material. “Perto da ninhada tinha um ovo inteiro, e um pedaço de ovo que poderia ser de dinossauro carnívoro porque o tamanho era maior e a casca bem mais espessa. A ornamentação da casca também era diferente das demais encontradas”, explicou.

O paleontólogo ressalta que esse tipo de descoberta é rara e vai lançar luz sobre as espécies que habitaram a região há milhares de anos. “Esses achados são muito importantes, porque encontrar ovos inteiros fossilizados é um evento bastante raro no mundo. É uma raridade da natureza esses ovos terem ficado conservados por tanto tempo”, ressaltou.

O pesquisador diz também que o estado em que os ovos foram conservados lança luz para outros estudos. “Outro dado importante é que essa ninhada conservada pode apontar condições ambientais favoráveis não só para a existência de dinossauros na região, mas para estruturas mais frágeis. Pode abrir outro campo de pesquisa científica para acharmos mais ovos também”, ponderou Nava.

Próximos passos

Nava, que atua há 28 anos com paleontologia, diz que após essa descoberta os trabalhos irão continuar na região, dessa vez para verificar se há fósseis nas proximidades do local onde a ninhada foi encontrada. “Não se sabe se os ovos foram postos e abandonados, ou se eles foram eclodidos. Uma das hipóteses que temos trabalhado é que eles foram soterrados e o tipo de local onde ficaram possibilitou esse estado de conservação com o qual encontramos. Como não encontramos fósseis no entorno, continuaremos as escavações”, explicou.

As próximas escavações também terão como objetivo descobrir a qual espécie de dinossauro pertence o ovo e os fragmentos descobertos. “Ainda não é possível determinar o tipo de dinossauro porque no sítio não foram encontrados nenhum fragmento fóssil que indique alguma espécie de dinossauro desse tipo na região. Vamos nos debruçar sobre isso agora”.

Ainda sem visitações

Por enquanto, a ninhada não será disponibilizada para exposição ao público em nenhum museu do país. “Após eles (os ovos) serem submetidos aos estudos para reconhecimento do material, aí é que poderão ser disponibilizados para visitação. Ainda não temos data e local, mas é possível que irão para o Museu de Paleontologia de Marília (em São Paulo)”, explicou Nava.

O Museu de Paleontologia de Marília está fechado para reforma atualmente. Ainda não há data para reabertura do espaço.

O Tempo

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